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Trânsito é espaço de convivência social que requer negociação, analisa especialista 09/02/2010 - GERAL
“O trânsito é um espaço de convivência social, onde teremos de 'negociar' quem ocupará primeiro um determinado espaço na via pública.
Como dois corpos não podem ocupar simultaneamente o mesmo lugar no espaço, essas pessoas terão que estabelecer uma relação de negociação para ver quem será o primeiro a ocupar aquele espaço.”
Essas são as palavras do especialista em trânsito, Marcos Rodrigues Oriqui, que já ministrou mais de 600 palestras pelo Brasil todo e é proprietário de uma empresa que presta serviços em Segurança no Trânsito desde 2000 - AMP Consultoria e autor do livro “Dirija Legal – Pratique a Direção Preventiva”.
Em relação ao fato ocorrido com o jornalista Agnaldo Ferreira Gonçalves, 60 anos, que sacou a arma e acabou matando uma criança de 2 anos nas ruas de Campo Grande, Marcos avalia:
“As pessoas que estão no trânsito, via de regra não se conhecem, têm diferentes valores, diferentes qualificações, diferentes objetivos e prioridades, diferentes crenças, diferentes qualificações, diferentes idades e sexos, enfim, fica muito difícil imaginar que essas negociações acontecerão sempre de maneira harmônica, amigável e sem riscos.
Pessoas são diferentes! Agem e reagem de formas absolutamente diferentes e, muitas vezes, completamente imprevisíveis, como foi o caso do jornalista”.
O especialista observa e destaca que esse não foi o primeiro caso e nem será o último. “O trânsito é um espaço de convivência social extremamente democrático, pois aceita tudo: crianças, jovens, adultos e idosos, totalmente sãos, ou drogados ou alcoolizados, ateus ou espiritualizados, em paz consigo mesmos ou alterados emocionalmente, nativos ou estrangeiros.
Todos têm o direito de participar do trânsito. O problema é que para participar do trânsito com um veículo motorizado, e ter ainda mais vantagens nos deslocamentos, pelos riscos embutidos no aumento da velocidade este indivíduo deveria ser devidamente treinado e educado para não ameaçar a integridade de todos os demais participantes deste jogo, sejam eles pedestres, ciclistas ou outras pessoas também motorizadas”.
São diversos os fatores que o especialista cita para justificar o que ocorre no Brasil. “Somos muito mal treinados nos CFC´s (Centro de Formação de Condutores).
Nas escolas os programas de educação para o trânsito ainda são escassos. As reciclagens dos condutores é medíocre. Regras existem a vontade, mas é quase que imperceptível a punição de quem as infringe.
Na grande maioria das vezes os exemplos de dentro da própria família não reforçam a educação, o bom comportamento e a tolerância no trânsito.
Com tudo isso, mais a absoluta crença na impunidade, as relações no trânsito acabam sendo permeadas com intolerância, agressividade, indisciplina e uma constante necessidade de levar vantagens nessas relações. Imagino que estejam aí, talvez, as grandes causas para tanta violência”, enfatiza Marcos.
Ao ser questionado sobre o porte da arma de fogo que o jornalista carregava, Oriqui observa:
“Na grande maioria das vezes a propriedade e o porte de arma de fogo são ilegais. Não é preciso dizer mais nada! Quem as tem, nesta situação, é um fora-da-lei e merece ser punido exemplarmente.”
Para diminuir a violência no trânsito, Marcos cita alguns fatores importantes e ressalta que só depende de cada um. “Como as regras muitas vezes não funcionam como deveriam, ou como gostaríamos, manter o compromisso com a educação, com a harmonia e com a disciplina (obedecer regras) não é fácil.
Mas esforce-se e faça a sua parte! Tolere diferenças! Respeite as regras! Avalie a situação e ceda a passagem aos outros quando julgar prudente! Veja se você é capaz de tornar isso uma rotina, mesmo dentro de um carro escurecido com insulfilm, onde ninguém pode te ver (o anonimato é um problema enorme para o trânsito).
Se cada um de nós assumir e persistir com este compromisso, o resultado será imediato. Teremos menos multas, acidentes, conflitos e tragédias como esta. Não depende de lei e dos outros. Depende de nós mesmos!”, avalia.
Para conviver com o caos que o trânsito é avaliado pelo especialista nos dias de hoje, é necessário exercitar a prática da "cidadania", ou seja, entendendo e respeitando as diferenças.
“Independentemente do ambiente e da situação, cabe a cada um de nós dar o bom exemplo. Não espere isso dos outros se você mesmo não é capaz de fazê-lo”.
Para refletir e fazer com que os velhos e novos condutores reagem de maneira racional no trânsito, Marcos deixa a seguinte observação:
“Os mais evoluídos, aqueles que sabem exatamente o que tem a perder com um conflito, por terem mais preparo e equilíbrio, é deles a responsabilidade de evitar a confusão, tanto na prevenção como na reação”.
Valquíria Oriqui
Fonte: midiamaxnews
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